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Transportes para servir os Açores ou para servir alguns acionistas?

A descontinuidade geográfica da nossa região, com nove ilhas dispersas numa extensa área do oceano Atlântico coloca a questão dos transportes e da mobilidade inter-ilhas e com o exterior como uma questão central.

A compreensão disto levou a que nos primórdios da autonomia tenha havido a séria necessidade de tomar medidas tendo em vista a cobertura integral do arquipélago com ligações aéreas, nomeadamente construindo em todas as ilhas, que ainda a não tivessem, de uma estrutura aeroportuária, como era o caso das Ilhas Graciosa, S, Jorge, Pico e Corvo. Esta rede aeroportuária cobrindo a totalidade das ilhas do nosso arquipélago tem cumprido no essencial a sua função porque ao longo dos anos o governo regional tem tido nas suas mãos um poderoso instrumento que permitiu e continua a permitir organizar toda a rede de transporte aéreo de modo a dar resposta (muitas vezes mal e de forma enviesada, é certo) às necessidades das populações das diferentes ilhas. Tal instrumento foi, é e terá de continuar a ser a SATA. De facto a SATA tem sido e é uma empresa estruturante, absolutamente indispensável à nossa região e que deveria exigir da parte dos governantes uma particularíssima atenção e preocupação bem como uma criteriosa exigente e adequada gestão.

Ao invés, o que temos assistido no domínio da política de transportes por parte do Governo Regional é a uma política aventureira e demagógica de utilização da SATA para subsidiar as empresas low-cost, nomeadamente obrigando a SATA a efetuar de borla os reencaminhamentos dos passageiros das low-cost  mesmo que isso implique como sucedeu no passado Verão dificultar ou impedir a deslocação inter-ilhas dos açorianos ou té mesmo do e para o exterior da Região, mesmo que por ponderosas razões de saúde.

 Como se tal não bastasse a gestão imprimida à SATA tem vindo paulatinamente a conduzir a empresa para uma situação de pré-falência como aliás o Plano Estratégico 2015/20 viria a refletir, com um passivo e uma situação de tesouraria preocupantes que se deve no essencial ao não cumprimento/pagamento, por parte do Governo Regional dos Açores,  do serviço público que a empresa é obrigada a prestar.

É perante este panorama que o Governo em vez de pagar as suas dívidas à SATA e de garantir uma criteriosa e adequada gestão da SATA decide pura e simplesmente vendê-la a privados que logicamente terão como primeiro, único e exclusivo objetivo ganhar dinheiro, e como é óbvio, não terão nem quererão ter o encargo de assegurar a importante e fundamental missão de estruturar, melhorar ou manter uma rede de transporte aéreo que tenha por primeiro e grande objetivo servir os açorianos e garantir mecanismos de desenvolvimento estratégico da Região. Que mais não fosse senão por isso os açorianos não podem permitir mais este atentado que o governo Regional se prepara para cometer com a SATA.

Os Açores e os Açorianos necessitam de uma SATA pública vocacionada para dar resposta aos açorianos e às necessidade de desenvolvimento da Região, não uma SATA privada cuja vocação primordial é dar lucro aos seus acionistas. É uma questão de opção. Nós PCP sabemos bem de que lado estamos e naturalmente entre servir os Açores e os Açorianos ou servir os bolsos de alguns acionistas estamos e estaremos sempre ao lado dos Açores e dos Açorianos.

João Paulo Valadão Corvelo

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