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Tinham esse dever…

Desfrutando deste tempo radioso na Horta, cidade mar, uma das mais belas baías do mundo, meu berço de nascimento, abraçando o canal feito de velas multicolores, de gaivotas e sargaços em jardins de areia lavada na maré vaza, de aromas trajados de espuma e maresia, com o Pico majestosamente dominante, terra que muito amo e que nunca me canso de contemplar, descobrindo em cada olhar um novo motivo de deleite, dei comigo a pensar na evolução e transformação da cidade da Horta e ilha do Faial, em 41 anos de autonomia (refiro-me a quase meio século – é muito ano!), e a conclusão óbvia foi: “quase nenhuma”!

Triste sina a nossa, de ilha permanentemente adiada, de promessa em promessa não cumprida, palavras eloquentes de egos auto insuflados, compostas em histórias mal escritas, (que fardo, que tédio!!),  jogadas ao vento, por entre hinos e bandeiras de glória  – o aumento da pista do aeroporto da Horta; mais e melhores acessibilidades; as termas do Varadouro, a circular à cidade da Horta; as obras de saneamento básico; o estádio Mário Lino, a estrada da Ribeira do Cabo à Ribeira Funda, a requalificação da frente mar; o mercado Municipal; mais animação de verão (com o anúncio recente de subsídios a grupos folclóricos e bandas de música o mínimo que, nós contribuintes, podemos esperar é que “toquem e bailem”); mais esplanadas e menos burocracia; devolução de espaços citadinos aos cidadãos; a nova sede do CNH; apoio à manutenção de fachadas de casas degradadas etc – onde o pouco que fomos alcançando se deve à dinâmica, mas também à coragem, e muita, da iniciativa de privados! não sou daqueles que se deixa iludir facilmente ou embevecer pelo fervor eleitoralista dos que raramente vi ou ouvi, nos últimos anos, erguendo a sua voz na defesa dos interesses e progresso da nossa ilha quando era preciso.

Tinham esse dever! É hora de questionarmos este modelo de autonomia, que é oneroso e não dá resposta aos anseios e aspirações da maioria dos açorianos; é hora de questionarmos este modelo de desenvolvimento que nos é proposto, onde, não me canso de o dizer, uns têm quase tudo e outros apenas migalhas! De que estamos à espera?

“As promessas, como as pessoas, perdem a força quando envelhecem.” Marcel Pagnol

António Rosa

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