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Setor das pescas continua à margem das prioridades do Governo para o próximo ano

Jaime Vieira acusou o Governo de manter um discurso que não reflete a realidade das pescas em algumas ilhas da região, sobretudo quando refere que este foi o melhor ano do setor e ignora os baixos rendimentos que muitos pescadores auferem mesmo a trabalhar.

“No Plano da Região para 2018 o Governo fala da sustentabilidade da pesca, no entanto, tornou a vida da maioria dos pescadores completamente insustentável”, afirmou o deputado do PSD/Açores durante o debate com o secretário regional do Mar, Gui Menezes.

De acordo com o social-democrata açoriano, “os pescadores continuam a ter baixos rendimentos; continuam a não ter meios para construir ou adquirir uma habitação condigna; continuam a engrossar as listas de espera cirúrgicas, continuam a preencher os requisitos dos assistentes sociais para receberem o Rendimento Social de Inserção”, enumerou.

Jaime Vieira, que lembrou o facto de ser filho de uma comunidade piscatória, Rabo de Peixe, que representa mais de 1000 pescadores da Região, ou seja, 40 a 50% do total dos pescadores dos Açores, frisou que os baixos rendimentos não são um problema apenas desta comunidade de São Miguel, como faz crer o Governo regional.

O parlamentar defendeu ainda que os crónicos baixos rendimentos dos pescadores não podem nem devem ser confundidos, em momento algum, com a indisponibilidade destes profissionais para trabalhar, sublinhando casos dos pescadores que emigram e que triunfam como seu trabalho que é reconhecimento e justamente remunerado lá fora.

“É tudo uma questão de sistema. De um sistema que não valoriza o trabalho árduo. E, por isso, não lhes permite ter habitação condigna. De um sistema injusto que vive de injustiças e que, por isso, não lhes permite verem os seus filhos conhecerem o sucesso escolar que os leve a outros níveis de qualidade de vida”, defendeu.

Segundo o deputado, os documentos orçamentais propostos pelo executivo açoriano não refletem uma solução para esses problemas do setor das pescas. Aliás, reforçou, “ao ler-se os documentos ficamos com a ideia de que não existem problemas no setor das pescas e que os orçamentos anteriores resolveram todos os problemas existentes”.

Jaime Vieira frisa que é um “erro pensar que os problemas foram resolvidos” e condena a dotação orçamental prevista pelo Governo para o próximo ano para o setor das pescas que não é mais do que “uma verba igual à da dívida da Lotaçor”.

Essa mesma dotação orçamental, lembra, foi questionada pelo própria Federação das Pescas, através do seu vice-presidente, que admitiu esperar uma “verba superior para dar resposta às ansiedades do setor”.

Para o PSD/Açores, salientou Jaime Vieira, este Plano e Orçamento da Região devia conter respostas para os problemas como o envelhecimento da comunidade piscatória em algumas ilhas; soluções para o aumento da mão de obra disponível; uma aposta forte na formação específica de pescadores, uma área fundamental para este setor.

“Tenho a esperança, mesmo perante estas dificuldades, que os homens do mar vão sair por cima. Não será, como se vê neste Plano e Orçamento, com o contributo deste Governo, mas sim com a capacidade de trabalho que estes profissionais demonstram no seu dia a dia”, concluiu o deputado do PSD/Açores.

PSD/Rádio Faial | Foto: PSD

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