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“Quem chamou a cegonha?” Na minha opinião…

“Quem chamou a cegonha?”, filme da década de 80, em que Diane Keaton representa a “mulher empresária”, que quer singrar no mundo empresarial, que tem até  a pretensão de se fazer socia da empresa…a dado momento o CEO da dita empresa, pergunta-lhe “quantas horas trabalhas por semana?”…responde Keaton “não sei…umas 70 ou 80 horas?”…a conversa prossegue questionando ele, se ela estava pronta para abdicar de família, e filh@s, pois, diz-lhe,” eu não preciso de abdicar, porque tenho alguém em casa que o faça” (a sua mulher)…o filme prossegue até que um tio falece deixando à personagem de Keaton uma bebé de meses para esta cuidar…num primeiro momento relutante, resistente, por aquela criança bagunçar o seu mundo de empresaria, e depois entregando-se ao amor que cresceu por aquele pequeno ser humano, decide mudar de paradigma, sendo uma mulher com uma carreira profissional, inclusive independente, e ser mãe, com tudo que isso implica…como dizia Teresa Ferreira (pedopsiquiatra e psicanalista..que nos deixou cedo mais…), aquela “doença mental” que afeta as mães para estarem alerta a qualquer som, ruido, ao mínimo sinal, aquela capacidade de rêverie (Bion), que faz com a cuidadora antecipe as necessidades daquele pequeno ser humano em potencial desenvolvimento…são as tais mães (pais) com contrato vitalício.

Bom, o que quero dizer com o parágrafo anterior é que estamos em 2018, e o paradigma social não está assim tão diferente…temos mulheres empreendedoras e mães, empresarias, com as suas famílias, mas isso implica dinâmicas, retaguarda de suporte que nem sempre são possíveis…e por isso, muitas vezes queixamo-nos da falta de tempo para @s filh@s, carregamos uma culpa enorme…mas poderemos inverter o pensamento, e pensar que eles exigem muito pouco, exigem qualidade de tempo…não quantidade de tempo…

Nesta jornada da emancipação da mulher, e isto há cerca de meia dúzia de noas atrás, questiona-me uma aluna de 15 anos numa palestra, se culpa do desemprego não seria das mulheres porque tinham saído de casa e começado a trabalhar…vejam lá a “nossa ousadia” de termos saído de fadas do lar, para mulheres com carreiras…fiquei estupefacta com esta perspetiva tão redutora de uma jovem em pleno século XXI…por outro lado, numa outra situação de exposição de trabalhos de jovens do secundário…diz-me um jovem que se deveria abolir a “lei da Paridade”…

Bom, a lei da Paridade aprovada em 2006, foi o mecanismo que obrigou os partidos a colocarem nas suas listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias, pelo menos 33% de representantes de cada um dos sexos …

Recordo-me, de há uns anos atrás tal como este jovem, me indignar com esta lei, lembro-me de a debater com uma amiga, ainda hoje um abre olhos para a minha mente…às vezes com uma tonalidade cor de rosa…demais…ela tem mais uma cinza claro…na verdade, e de facto ela tem de existir, os 33% têm de existir para estarmos lá…porque se assim não fosse, tenho a plena consciência que as mulheres que surgem em lugares de topo seriam uma utopia…podem-me chamar feminista a vontade…sou com muito gosto…e serei-o sempre, ate que veja uma igualdade entre homens e mulheres, uma igualdade social para todos e todas as cidadãos e cidadãs…se esta minha amiga estiver a ler este texto, vai dizer, utopia Carla, sonho… é o meu lado ingénuo, mas impulsionador do meu caminho…

Já em 2018 a lei da Paridade aprovada em 2006, que sobe de 33 para 40% a quota de representação dos dois sexos nos órgãos de poder político e nos cargos dirigentes da administração pública, o valor indicado pelas Nações Unidas — e passa a abranger também as juntas de freguesia.

Acredito que homens e mulheres têm características diferentes, mas que o que os faz mais capazes, mais competentes nas diferentes profissões e ofícios é o empenho, o gosto, a motivação, o brio, o regozijo por um trabalho bem feito…não pelo género…mas também acredito que esta lei é fundamental para que a mulher dê mais um passo na sua longa jornada…e que só como lei será cumprida, só não sei quando chegará ao privado…

P.S. – No meio de tudo isto entristece-me em pleno século XXI, só sob a forma de lei a mulher tem direitos similares, aos que os homens detêm por nascimento.

Carla Mourão

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