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Manipulação dos dados da rota lisboa-horta-lisboa

Em novembro de 2016 o Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA veio ao Faial e reuniu com várias instituições, entre elas, com a Câmara Municipal da Horta.

Para não corresponder à reivindicação desta ilha para que na rota Lisboa-Horta-Lisboa existissem catorze ligações semanais diretas nos meses de julho e agosto deste ano, o Presidente da SATA, nas declarações que prestou aos Órgãos de Comunicação Social, invocou que a rota da Horta era deficitária devido à baixa ocupação, referindo nomeadamente que no período de outubro de 2015 a setembro de 2016 “tivemos cerca de 95 voos com uma taxa de ocupação abaixo dos 50 por cento”.

Estas declarações e, sobretudo, o seu tom mereceram um conjunto alargado de protestos e a Assembleia Municipal da Horta aprovou por unanimidade um voto de protesto.

Além do tom, o conteúdo destas declarações causou estranheza por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o Presidente da SATA não utilizou o indicador normal nestas situações, ou seja, a taxa de ocupação média mensal ou anual. Em segundo lugar, porque se referiu apenas a 95 dos voos realizados.

Neste contexto o Grupo Parlamentar do PSD/Açores dirigiu um requerimento ao Governo Regional a solicitar, entre outros elementos, o número de voos realizados e a taxa de ocupação mensal e anual nas rotas operadas pela Azores Airlines.

A resposta a este requerimento indica em relação à rota Lisboa-Horta-Lisboa que:

a) no período referido pelo Presidente da SATA (outubro de 2015 a setembro de 2016) realizaram-se 629 voos;

b) em nenhum dos meses desse período a taxa de ocupação foi inferior a 50%;

c) a taxa de ocupação no ano de 2015 foi de 79% e em 2016 de 75%.

Estes números provam que a ideia que o Presidente da SATA quis passar, de uma rota deficitária com uma taxa de ocupação extremamente baixa, não tem correspondência na realidade transmitida pelos números oficiais.

Estes números provam igualmente que o Presidente da SATA de um total de 629 voos escolheu 95, provavelmente os que tinham a taxa de ocupação mais baixa e com isso manipulou os números para fundamentar uma decisão que já tinha tomado e enganou os Faialenses e todos aqueles que o ouviram, penalizando esta ilha.

Esta forma de atuar é absolutamente condenável e inaceitável num administrador de uma empresa pública essencial e estratégica para o desenvolvimento dos Açores e que deve tratar todas as ilhas com verdade e equidade.

Face ao exposto, e confirmando-se agora com os números oficiais que o Presidente da SATA os manipulou, os Vereadores subscritores propõem que a Câmara Municipal da Horta aprove um voto de protesto:

1 – Pela forma como o Presidente da SATA, nas suas declarações no Faial, em novembro de 2016, manipulou e tratou de forma parcial os números relativos à rota Lisboa-Horta-Lisboa, ostensivamente para prejudicar as reivindicações do Faial e dos Faialenses e procurando passar a ideia que a taxa de ocupação na mesma era extremamente baixa.

2- Ao Governo Regional pela recondução como Presidente da SATA deste administrador que agiu desta forma eticamente reprovável, enganando em público as Instituições com que reuniu na Ilha do Faial, incluindo a Câmara Municipal e os Faialenses.

Mais propõem que deste voto se dê conhecimento: ao Presidente do Governo Regional dos Açores, ao Secretário Regional dos Transportes e Obras Públicas, ao Presidente do Conselho de Administração da SATA, ao Presidente da Assembleia Municipal da Horta, ao Presidente do Conselho de Ilha do Faial, ao Presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Horta e aos Órgãos da Comunicação Social.

Texto/Foto: GI-PSD/Açores

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