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Mais olhos que barriga…

A imagem de quatro navios de cruzeiros atracados na doca de Ponta Delgada e nas Portas do Mar daquela cidade nesta segunda-feira, 23 de abril de 2018, contrastando com outra imagem, de um navio de cruzeiros muito mais pequeno encostado no novo molhe do Porto da Horta e depois de um outro, de grande porte, ter estado ancorado na baía, sem possibilidade de acostar em nenhum dos nossos cais, em plena época de cruzeiros turísticos e numa altura em que a dimensão (comprimento) deste tipo de embarcações tende a crescer, é a forma mais eloquente de demonstrar quanto o futuro do Faial se encontra comprometido.

Alguém dizia — perante o destaque que têm tido as notícias sobre acessibilidades aéreas — que o Faial ainda consegue sobreviver sem aeroporto, mas sem porto, não!

O movimento económico associado ao abastecimento, à pesca, ao iatismo, às empresas marítimo-turísticas e até ao desporto ou à exportação, que se desenvolve no e por causa do porto, é a seiva que nos mantém vivos.

O Faial ganhou projeção internacional e importância no arquipélago fruto de uma bacia abrigada pela natureza em pleno Oceano Atlântico, entretanto infraestruturada e potenciada.

Tudo o que anular a capacidade do Porto da Horta enquanto mola real da nossa economia, com as consequências sociais que disso advém, constitui um tiro certeiro no progresso desta terra!

Talvez se conseguiu que o porto não fosse assassinado de vez com as famigeradas obras da 2.ª fase que estiveram projetadas. Mas os efeitos nefastos da construção das “Portas da Ribeira” jamais serão corrigidos. As imagens que estão a circular e que atrás referi bem o demonstram, para além das consequências no interior do porto que têm a ver com a interferência na tranquilidade e amplitude da bacia de manobra.

Os quatro navios que se acotovelam em Ponta Delgada confirmam, tão-só — o que não é pouco –, a ganância de quem tem mais olhos do que barriga.

É esse o traço que carateriza quem hoje governa os Açores, ressuscitando o velho conceito das “ilhas de baixo”, que antes não sendo mais do que uma expressão de certa sobranceria, agora representa a afirmação de uma maneira de (des)entender os Açores.

Souto Gonçalves

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