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Mais de 80 doentes aguardam por colonoscopia no Hospital da Horta

Mais de 80 doentes aguardam por uma colonoscopia no Hospital da Horta desde o início do ano, devido a “sucessivas avarias” em equipamentos médicos, admitiu hoje o Conselho de Administração daquela unidade de saúde.

Em resposta a um requerimento apresentado pelos deputados do PSD à Assembleia Legislativa dos Açores, que alertavam para atrasos nos exames complementares de diagnóstico, a administração hospitalar reconheceu o problema, mas assegurou que o atraso não põe em causa a saúde da população.

“Há, efetivamente, utentes que aguardam colonoscopia desde janeiro de 2017, há cerca de três meses, mas ao contrário do que é dito no requerimento, esta situação não é suscetível de interferir com o prognóstico e com o respetivo tratamento, face a um eventual diagnóstico tardio de doença oncológica”, adiantou o Hospital da Horta, em comunicado.

De acordo com a mesma nota, a demora na realização de colonoscopias naquela unidade de saúde, resulta de sucessivas avarias nos equipamentos clínicos, que obrigaram a Administração do Hospital a adquirir novos aparelhos, que deverão começar a funcionar durante a próxima semana.

“O facto de se ter interrompido o programa deve-se exclusivamente a um conjunto reiterado de avarias, agravado em dezembro de 2016, de todos os aparelhos existentes, o que levou o Conselho de Administração a avançar com caráter de urgência com os procedimentos administrativos e legais obrigatórios para a aquisição de novos equipamentos”, refere o esclarecimento.

Os deputados sociais-democratas Carlos Ferreira e Luís Garcia, que alertaram para a situação, consideram, porém, “inaceitável” esta demora na realização dos exames, lembrando que muitos destes pacientes “tiveram um resultado positivo” num rastreio de cancro do cólon e do reto e aguardam ansiosamente pela realização de exames complementares para saberem o seu verdadeiro estado de saúde.

“Estamos perante uma situação de enorme gravidade, que revela uma preocupante desconsideração pelas mais elementares normas do Sistema Regional de Saúde e, mais ainda, uma total ausência de humanismo e sensibilidade para com os medos, inseguranças e reais necessidades de cuidados clínicos”, criticam os deputados do PSD.

No requerimento, entregue no parlamento dos Açores, os deputados sociais-democratas questionaram também o Governo Regional sobre as medidas que se propõe tomar para resolver esta situação, que consideram ser suscetível de “interferir com o prognóstico e tratamento face a um eventual diagnóstico tardio da doença oncológica”.

O Conselho de Administração do Hospital da Horta lembra, no entanto, que os pacientes que aguardam pelos exames são considerados “utentes assintomáticos”, isto é, “aparentemente saudáveis”, e que “a presença de sangue oculto nas fezes não significa doença oncológica”, uma vez que “a prevalência nestes doentes é muito baixa”.

“O Hospital da Horta adquiriu já os equipamentos necessários e tem previsto reiniciar o programa de rastreio de forma intensiva, com a execução de cerca de dez colonoscopias semanais, já a partir do próximo dia 22 de abril”, assegura aquela unidade de saúde.

Quase dez mil pessoas foram convocadas em 2016 pelo Hospital da Horta para a realização de um rastreio do cancro do cólon e reto, ao qual aderiram mais de 44% dos utentes (4.345 pacientes), dos quais 281 apresentaram teste positivo, mas apenas foram detetados 12 tumores (sete na ilha do Faial e cinco no Pico).

Texto: Lusa/Noticias ao Minuto/Rádio Faial | Foto: Direitos Reservados

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