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Governo dos Açores disposto a colaborar com IMAR para evitar saída de investigadores

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, disse hoje estar “disposto” a colaborar com o IMAR – Instituto do Mar, para evitar a dispensa de investigadores, alguns dos quais já receberam cartas de despedimento.

“Estamos dispostos a colaborar com o IMAR para encontrar uma solução para esses colaboradores”, explicou o governante, durante uma reunião, na Horta, da Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho da Assembleia Regional, que requereu a audição de Gui Menezes, a pedido do Bloco de Esquerda (BE), que pretendia esclarecer quais as prioridades do executivo socialista em matéria de investigação marinha.

Segundo explicou o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, essa colaboração poderá passar por a região substituir-se ao IMAR na execução do Programa de Recolha de Dados, financiado pela União Europeia, que estava a ser coordenado pelos investigadores agora despedidos.

As explicações de Gui Menezes surgiram na sequência de uma pergunta levantada pela deputada do BE, Zuraida Soares, que manifestou a sua preocupação com as consequências negativas que o despedimento de investigadores e o eventual encerramento do IMAR poderão ter para o futuro da investigação marinha nos Açores.

“Há investigadores que estão há 10 e 20 anos nesta região, que deram e continuam a dar um contributo inestimável para o desenvolvimento desta região e que estão a receber cartas de despedimento”, lembrou a parlamentar bloquista, que entende que o Governo Regional não pode ficar “indiferente a esta situação”.

O titular da pasta do Mar no executivo açoriano disse que não lhe competia, enquanto membro do Governo, julgar as decisões do IMAR e da Universidade dos Açores, sobre o futuro daquele centro de investigação, mas não deixou de “lamentar que a situação tenha chegado a este ponto”, considerando mesmo “extemporâneo” o anúncio de que o Instituto do Mar iria encerrar.

“Na posição em que estou não me posso imiscuir nas decisões de instituições externas ao Governo Regional” lembrou Gui Menezes, que recusou dizer se concorda ou discorda do encerramento do IMAR.

O governante admitiu, no entanto, que o IMAR “tem tido dificuldades em obter reembolsos” financeiros no âmbito do Programa de Recolha de Dados, que há cerca de um mês totalizavam cerca de 700 mil euros.

A deputada do BE disse, no final da audição, que algumas matérias não foram devidamente esclarecidas no âmbito desta reunião, “por manifesta falta de tempo”, por isso, anunciou que vai requerer uma interpelação ao Governo, no plenário da Assembleia Regional agendado para a próxima semana, sobre esta matéria.

No início de dezembro, o diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores e presidente do IMAR, Hélder Silva, anunciou que o Instituto do Mar “irá fechar” e que será criado, em sua substituição, um “instituto com autonomia administrativa e financeira”.

Na altura, o responsável garantiu que “não está em causa despedir pessoas”, mas apenas fazer transitar os recursos humanos e os “compromissos” já assumidos pelo IMAR para o novo instituto a criar.

Na sequência desse anúncio, cerca de meia centena de técnicos e investigadores do Instituto do Mar (IMAR), ligados ao Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, manifestaram-se publicamente contra o anunciado encerramento daquele organismo.

Lusa/Rádio Faial | Foto: Direitos Reservados

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