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Erupção dos Capelinhos levou jovem açoriano a tornar-se vulcanólogo

Aos 16 anos, o açoriano Victor Hugo Forjaz pensava ser farmacêutico, mas a erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial, mudou-lhe a vida e levou-o a estudar Geologia.

“Tinha 16 anos e apanhei um grande susto. O meu pai pertencia à administração da ilha do Faial e, portanto, tive um lugar privilegiado na observação de determinadas situações”, contou à agência Lusa o vulcanólogo, antigo professor universitário e fundador do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA).

O vulcão dos Capelinhos entrou em erupção às 06:45 de 27 de setembro de 1957 e esteve em atividade 13 meses, tendo desalojado milhares de faialenses – muitos dos quais emigraram -, mas sem provocar mortos.

“Extasiado” com os acontecimentos, embora reconhecendo o seu “impacto terrível”, Victor Hugo Forjaz decidiu seguir Geologia, contando agora, sessenta anos depois, que a ilha do Faial foi “invadida por cientistas mundiais que marcaram os contactos sociais” da cidade da Horta.

“Os cientistas encontravam-se no café, no Peter’s, Internacional ou Volga. Toda a gente convivia entre si, novos e velhos, pessoas experientes, supercientistas, entre outros. Foi um momento único”, disse o vulcanólogo, que era, então, estudante na ilha.

Na altura, recordou, o seu entusiasmo era partilhado também por jovens das ilhas de São Miguel, Terceira e Pico, que “ficaram maravilhados com aquela manifestação da natureza tão próxima, acessível, junto à ilha”.

Os Capelinhos, afirmou, foram “um vulcão” na sua vida e na da população do Faial.

Hoje, recorda, entre outros momentos, o facto de “muitas pessoas terem ficado a dever dinheiro” ao seu pai na farmácia, porque “tiveram que vender gado, pastagens e propriedades e não puderam pagar os medicamentos”, e mesmo assim terem liquidado as suas dívidas.

“Deixaram dívidas na farmácia que foram religiosamente pagas até ao fim, durante anos. Se uma ou duas pessoas ficaram a dever é porque faleceram, porque as restantes centenas pagaram com base na palavra de honra. E foi com este dinheiro que no Porto e em Lisboa ia recebendo uns dólares para pagar os estudos”, declarou o cientista.

O vulcanólogo recordou o “impacto social do vulcão sobre uma ilha que estava em decadência”, devido ao abandono do cabo submarino e às alterações que tiveram lugar no campo da aviação, com uma “situação económica difícil”.

A erupção fez com que “metade da população emigrasse para os Estados Unidos”, predominantemente jovens que acabaram a estudar no país.

O cientista destacou também a “grande campanha de solidariedade”.

“O balanço final do vulcão dos Capelinhos é que foi uma erupção ‘benéfica’. Não morreu ninguém, nem gado, destruiu apenas a paisagem, que recuperou após 10 anos, tendo a parte económica da ilha mudado radicalmente”, afirmou.

Lusa/Rádio Faial | Foto: Direitos Reservados

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