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DA SEMANA DO MAR AO REGRESSO DA TAP

Mais uma Semana do Mar passou e não sendo 2019 um ano de autárquicas não seria de esperar um cartaz de arromba como o de há dois anos atrás para os concertos em terra e, pelo que ouvi, no mar o festival foi programado como habitualmente.

Nunca escondi que gosto da Semana do Mar e mesmo sem ter seguido a grande maioria dos concertos e apesar do espaço ter sido encolhido (devido às obras na Praça do Infante) coube toda a gente que quis vir à festa. Entre o que mais apreciei este ano encontra-se o desfile coreográfico “Sambódromo do Mar Profundo”, trouxe cor, luz e novidade numa hora acessível a todos os que não podem estender a sua participação pela madrugada fora e foi portador de uma mensagem sobre a problemática dos oceanos e do ambiente, tema pertinente neste festival: o mar; mais ainda nos tempos que correm.

Apesar de a meteorologia não ter sido a melhor, pelas reportagens e conversas, tal pouco afetou as tasquinhas e os restaurante, sinal da importância da Semana do Mar para o convívio das pessoas, que ultrapassam o obstáculo da chuva e se juntam para o encontro de amigos e famílias em partilha gastronómica, importância que esta festa, à semelhança das do Espírito Santo, não perdeu, ao contrário de muitas outras tradicionais desta ilha onde a afluência dos Faialenses tem vindo num progressivo decréscimo, sobretudo dos mais jovens.

Contudo a notícia da semana foi a que o Diretor Executivo da TAP, cargo atualmente conhecido pela sigla CEO, Miguel Frasquilho, comunicou à Câmara do Comércio da Horta de que o regresso ao Faial da transportadora aérea nacional “é uma possibilidade a ter em conta”. Não sendo uma promessa garantida – aliás, falta de garantias em boas notícias é o que a população desta ilha está habituada – não deixa de ser uma oportunidade a que todas as forças-vivas desta terra se devem associar para que não esmoreça e mais uma vez se gore esta pretensão de tantos Faialenses.

Não estou certo se a melhor solução para os aeroportos do Triângulo, mais especificamente os do Pico e da Horta, seja a liberalização do espaço aéreo a estas infraestruturas, como se deduz da notícia. Mas estou seguro que a situação atual de serviço prestado pela Azores Airlines não serve os interesses desta zona dos Açores e até despromoveu este destino devido à falta de qualidade e de garantias das ligações entre estas ilhas e Lisboa ao longo dos últimos anos.

Assim, queiram tanto os grupos profissionais do turismo, comércio e indústria; como os representativos dos cidadãos aqui residentes, eleitos nos mais diferentes órgãos políticos, ter engenho, arte e espírito de cooperação para levar a bom porto, ou a bom aeroporto neste caso, a resolução deste assunto para bem de todos.

Desejo uma solução que não coloque as gentes do Triângulo reféns de ninguém. Uma solução capaz de planear a sua atividade a longo-prazo para que seja viável, não só aos turistas que nos queiram visitar, como também aos que cá residem e à diáspora destas ilhas, programar as suas deslocações com a devida distância ou proximidade temporal adequada aos tempos atuais. Uma solução que seja do interesse da própria transportadora dinamizar as ligações ao Faial e ao Pico através das suas gateways sem querer desviar os passageiros para outras portas de entrada e saída dos Açores.

Carlos Faria (Meu artigo no diário Incentivo)

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