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“Da parentalidade…”, na minha opinião…

Nunca tanto se escreveu, publicou ou se dissertou sobre a missão de ser pai e mãe…sabemos que é um trabalho a tempo inteiro e de caracter vitalício, ou seja há um contrato a termo incerto ou melhor até, sem termo…educar parece ser o mais difícil para o ser humano, porque as crianças não vêm com instruções, e portanto, os progenitores sentem-se em cada etapa do psicodesenvolvimento como se pisassem ovos…com cuidado, com jeitinho para não desfazer e traumatizar a criança, ou por vezes, simplesmente não há o insight para a reflexão (não é uma critica, é por vezes um facto).

Elas não se partem, são até bastante maneáveis e com bastante plasticidade, requerem apenas alguns ingredientes fundamentais para um pleno crescimento saudável, atenção, presença bem presente, afecto e como acompanhamento acrescentaria as regras, os limites e a assertividade.

Vivemos num mundo preocupado com tantas variáveis externas, como álcool, drogas, comportamentos de risco, procuramos nelas, o bode expiatório para muitos dos desafios com que nos deparamos enquanto cuidadores, e não muitas vezes esquecemo-nos de olhar para dentro da “nossa casa”.

Sim, é na “nossa casa” que os problemas começam, não percebemos isso logo, andamos demasiado atarefados com o trabalho, ou com o desemprego e como vamos por a comida na mesa, com as prestações, e as crianças ficam para depois…e portanto, ainda que a sociedade se desenrole em moldes diferentes, também nós temos de fazer a reflexão e voltar mais atras…voltar à nossa decisão de gerar, e por neste mundo uma criança….com todos os elementos que isso implicaria.

A ida ao psicólogo e ao pedopsiquiatra faz-se logo num primeiro momento, há que resolver, concertar a criança, há que já fazer um diagnóstico…quando o que acontece na grande maioria dos casos é que os progenitores perderam o fio à meada (passo a expressão) …as crianças vão dando sinais de como se sentem, vão pedindo e mendigando atenção, nós é que não vemos e não queremos ver…temos o exemplo em tenra idade das famosas “birras”, do “atirar para o chão”.

Na grande maioria das situações há uma necessidade de devolver a autoridade aos progenitores, e voltar a reatar a relação de afecto e de confiança entre a criança e os seus cuidadores por parte dos profissionais de saúde mental…a autoridade, não implica a ditadura, mas sim a consistência e a assertividade por parte dos cuidadores, para que sejam securizantes para a criança, ou seja, a criança sabe que os seus cuidadores estão na retaguarda, mas que há regras e limites, sendo que são estes ultimos que promovem a auto estima, a autonomia e uma boa construção do ”eu  individuo”.

Claro que há situações/perturbações que exigem um outro olhar sobre a situação, uma articulação estreita com a pedopsiquiatria, e inclusivamente um tratamento farmacológico…em última das instâncias.

Queria deixar também uma nota para a tão diagnosticada PHDA (perturbação de hiperatividade e deficit de atenção), que penso refletir uma forma de depressão infantil nas crianças, que tem vindo a ser crescente, mas que acredito, não refletir os números reais da perturbação (em breve voltarei a este assunto) … as crianças de hoje, não são as do passado, estão sujeitas a muito mais pressão e competitividade, desde muito cedo… a escola tem aqui um caracter importante, e que deve ser redimensionada às nossas crianças e jovens….os conteúdos e as próprias disciplinas devem ser revistas, os tempos de efetiva brincadeira, sem ser em frenéticas atividades de todo o tipo…teríamos uma escola mais inclusiva, não discriminatória, menos competitiva, e com crianças e jovens mais motivados se percebêssemos o que poderíamos enfatizar, realçar e potenciar em cada jovem, e trabalhar a partir daí…insistimos tanto em disciplinas, tantas explicações, tanto estudo acompanhado…crianças que desde o 1º ciclo já têm apoio, e inumeras horas semanais de explicações…ora convenhamos algo vai mal, e tenho a sensação que não são as crianças….

P.S. – Uma mensagem para todos os pais, mães e cuidadores: não se apoquentem tanto com a imperfeição d@s voss@s filh@s, porque também el@s ao longo do seu crescimento vão perceber que os pais também são eles imperfeitos…com sorte, eles chegarão à conclusão que fizemos tudo o que achamos ser o melhor caminho e opções para a sua felicidade.

Carla Mourão

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