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“Com Amor from Russia…, Na minha opinião”

Em pleno século XXI, em que nos dizemos tão mente aberta, tão em democracia (exceto no Oriente, isso seria ainda outro tema), surge na Rússia em 2013 e vigora até aos dias hoje, a Lei Anti Propaganda Homossexual, que sob pena de influenciar as crianças e jovens quanto à sua orientação sexual, estão proibidas quaisquer tipos de manifestações amorosas e sociais entre pessoas do mesmo sexo. Por exemplo dar um simples beijo em público poderá ser acusado de ato de vandalismo, uma pessoa com um cartaz com as cores do arco iris (símbolo LGBTI – lésbicas gays bissexuais transgenero e intersexo), a dizer eu sou gay, a pessoa será detida e multada.

A homossexualidade foi considerada crime na Rússia de 1963 a 1993, bastava uma simples denúncia para a pessoa ser detida. Em 1993 a homossexualidade foi descriminalizada, mas o preconceito resistiu às mudanças legislativas, e esta lei só contribui para um aumento dos crimes de ódio em todo o país com pessoas homossexuais a serem atraídas para encontros, para serem espancadas e humilhadas. Aliás esta lei fomenta a homofobia dos grupos mais radicais e conservadores, e incita à violência, e quase como justifica a violência exercida a estes grupos minoritários.

Apos vários anos, já em 2017 o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou finalmente discriminatória e homofóbica esta lei, punindo o Governo de Putin “ Ao adotar legislação como esta, as autoridades [russas] reforçam estigmas e incentivam a homofobia, o que é incompatível com as noções de igualdade, pluralismo e tolerância inerentes de uma sociedade democrática”, comunicado do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Não se entende como se quer punir penalmente, criminalmente, algo que é intrínseco à essência, à identidade do ser humano…o que a pessoa sente, com e com quem se identifica, com quem partilha a sua intimidade cabe a cada um e cada uma…é o livre arbítrio adquirido por nascimento…

O nosso preconceito tolda-nos por vezes o discernimento, de algo tão simples, que é interiorizarmos que a norma, não tem de ser exclusivamente a regra, que a aceitação da diversidade se faz através da inclusão de uma identidade de género própria e única, particular a cada pessoa…

Claro que são muitos seculos e décadas de um padrão cultural estereotipado pela heterossexualidade…mas façamos como as crianças…normalizemos estas questões…vou dar um pequeno exemplo…há pouco tempo, fui com uma colega aos ATL´s contar o conto da “Lilás” uma menina com dois pais…não havia uma mãe…e para meu espanto, não tive nenhuma voz de admiração ou espanto, muito pelo contrário, entendiam que há vários tipos de famílias…com dois pais, duas mães, as monoparentais, as reestruturadas e alargadas…sem grandes dramas…

Penso que é nestas tenras idades que devemos debelar o preconceito, e muitas são as vezes em que são as próprias crianças, que ajudam os pais a derrubar barreiras…porque as resistências à aceitação das pessoas LGBTI+, está apenas e só na nossa mente muito, mas muito formatada, para termos apenas uma perspectiva da identidade de género….e as preocupações são varias, entre elas a procriação, a taxa de natalidade…mas se pensarmos, quantos casais heterossexuais decidem no seu livre arbítrio não terem descendência?

 E na atualidade, com a evolução genética ao nível dos gametas, a procriação pode ser realizada por outras técnicas, e que dizer de tantas crianças nas instituições que podem ser adoptadas e terem uma família, que não só a tradicional…

Outras das grandes preocupações é a questão do modelo de referência feminino e masculino, ora se a criança tem dois pais ou duas mães, ou só um pai, ou só uma mãe, como se poderá desenvolver de forma harmoniosa ao nível psicoafectivo?

Acreditando no benefício do papel do género feminino e masculino ao bom crescimento da criança (falo em relações saudáveis, sem conflito e/ou violência domestica), basta que nestas famílias, exista na vida da criança, ou parente próximo (avo, avô, tio, tia, etc), ou uma figura que esteja em contato frequente, que possam expressar as características ou de referência masculina, ou feminina.

Estas famílias, tal como as outras estão expostas ao meio social, à sua permeabilidade de estímulos, ações, reações, inputs e outputs…a família seja ela qual for é um sistema aberto, e vai evoluindo consoante as trocas e interações com o meio social…assim deve ser…muitos jovens adolescentes sofrem por não saberem expressar, o que sentem, andam revoltados consigo próprios…com receio da reação dos pares, e pior com medo da reação dos pais…

Já que estamos em pleno século XXI, vamos dar a mão à palmatoria, aceitando que somos na realidade iguais, mas que a nossa essência é intrínseca a cada um de nós, o sentir, o ser…é o nosso livre arbítrio, é a nossa liberdade, é a nossa intimidade…e devemos e temos esse direito de amar e dizer ao mundo quem amamos…

Bom começo de aulas.

Ate breve.

Carla Mourão

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