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CDS/Açores insiste em novo modelo de transporte marítimo e avião cargueiro

A Vice-presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP, Graça Silveira, anunciou, esta terça-feira, que vai insistir na realização de um estudo que encontre um modelo alternativo ao atual sistema de transporte marítimo de carga de e para os Açores, bem assim na aquisição de um avião mini cargueiro para melhorar o escoamento dos produtos açorianos.

“Não temos qualquer dúvida de que uma rede de transportes eficiente, devidamente articulada e, sobretudo, dimensionada à escala das trocas comerciais nos Açores é, seguramente, o investimento com maior retorno para a economia da região. Por isso, o CDS, neste Plano e Orçamento, volta a apresentar propostas que permitam resolver as questões logísticas do transporte de mercadorias, nomeadamente a de encontrar um modelo alternativo de transporte marítimo e a aquisição de um avião cargueiro para o transporte de mercadorias inter-ilhas”, afirmou.

Graça Silveira falava no plenário do Parlamento Açoriano, reunido na cidade da Horta, e onde estão a ser debatidas as propostas de Plano e Orçamento da Região para 2018.

Estas propostas em que os populares vão insistir, resultam da constatação de que “um dos principais problemas dos sucessivos governos socialistas tem sido a falta duma visão estratégica para o desenvolvimento dos Açores”, disse a parlamentar, acusando a maioria de “continuar a insistir em políticas de assistencialismo, em vez da adoção de políticas estruturantes que possam combater os constrangimentos conjunturais”.

Para a bancada do CDS a economia açoriana “está estrangulada por um modelo de transportes completamente obsoleto, sucedendo-se as queixas dos empresários sobre as dificuldades que sentem quanto ao escoamento dos produtos da pesca, da agricultura e da pecuária. Ora, por falta de capacidade de carga, ora porque os horários não estão devidamente articulados, ora porque o custo dos transportes é tão elevado que penaliza a competitividade das empresas açorianas”, denunciou Graça Silveira.

Graça Silveira lembrou, por outro lado, que já se gastaram “praticamente 7 milhões de euros” no “tão famoso PIT, Plano Integrado de Transportes”, sem que se consiga, sequer, “articular os horários da chegada dos aviões ao Faial, com os da partida dos barcos para o Pico”.

No que toca à saga de construção de navios para transporte de passageiros, a Vice-presidente da bancada democrata-cristã, referiu que “com a entrada em funcionamento dos novos barcos, Gilberto Mariano e Mestre Simão, o número de ligações diárias entre a Horta e a Madalena diminuiu. Outra coisa não seria de esperar, já que a operação destes barcos é grosseiramente deficitária, o que também justifica a frequência com que estes barcos ficam em doca seca. Mesmo assim insistiu-se na aquisição de dois ferries que iriam custar 85 milhões, que, de resto, ninguém quis construir, já que os concursos para a sua construção acabaram por ficar desertos. Só em supostas conversas informais com a União Europeia, os dois ferries já custaram à Região 6,5 milhões de euros, uma vez que o projeto nunca foi sequer submetido a Bruxelas para a aprovação. Nunca foi submetido e nunca será, porque afinal o governo abriu concurso público para a construção de apenas um barco, no valor de 43 milhões, que, curiosamente, não necessita da aprovação por Bruxelas, uma vez que o valor não excede os 70 milhões de euros”.

Para o CDS-PP, “infelizmente, temos uma longa história de processos de compra de barcos mal conduzida e mal explicada. Esperemos não estar perante um remake do episódio vergonhoso da encomenda dos barcos Atlântida e Anticiclone aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo”.

No que toca aos investimentos previstos ao nível das infraestruturas portuárias e aeroportuárias, Graça Silveira aponta também criticas: “Um Plano de Investimentos que orçamenta para todas as infraestruturas portuários e aeroportuários da Região 32.9 milhões, exatamente o mesmo montante que orçamenta apenas para pagar a renda das SCUT’s, diz muito da política de transportes do governo”.

Mas pior do que isso, considerou, é que “por ignorância, incompetência, ou arrogância, as decisões relativas à construção de infraestruturas portuárias, foram tomadas sempre à revelia de tudo e de todos. E os resultados estão à vista: na Horta, o suposto cais de cruzeiros, transformou-se num terminal de passageiros. Ao fim de 55 milhões de euros, e depois de se ter hipotecado o crescimento da Marina da Horta, os barcos continuam a fundear ao largo. E a necessidade de dragagens frequentes, encarece este investimento a cada ano que passa. E vai voltar a repetir-se o mesmo erro, ou seja, para supostamente se melhorar as condições de operacionalidade e de segurança do porto de pesca da Horta, vai-se, uma vez mais, comprometer as condições de operacionalidade da marina, um dos principais ativos da economia faialense, aumentando a agitação marítima no molho norte”.

Outro exemplo não esquecido prende-se com o Porto das Pipas, na ilha Terceira: “Em Angra, o tão prometido cais de cruzeiros, orçamentado em 60 milhões, transformou-se não num terminal de passageiros, mas sim, e apenas, numa rampa ro-ro, orçamentada já em 5,7 milhões, e da qual ainda nem se conhece o projeto”.

Assim, e como conclusão, Graça Silveira apontou que “de pouco ou nada servem todos os subsídios, apoios e incentivos, quer ao escoamento dos produtos açorianos, quer à importação de fatores de produção, quer à captação de turistas, se a rede de transportes na Região não for capaz de dar garantias de uma resposta eficiente”.

CDS/Rádio Faial | Foto: CDS

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