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Cabeço de Amarração que matou passageiro em São Roque do Pico apresentava vestígios de extensa deterioração

O cabeço de amarração que atingiu mortalmente um passageiro do navio “Gilberto Mariano”, nos Açores, em novembro de 2014, apresentava “vestígios de extensa deterioração”, revela uma perícia do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)

“O cabeço de amarração apresentava vestígios de extensa deterioração por corrosão seletiva do ferro”, refere o relatório do LNEC da peritagem técnica ao cabeço de amarração, a que a Lusa teve hoje acesso.

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O documento integra o inquérito-crime ao acidente mortal, cuja investigação decorre no Ministério Público de São Roque do Pico e tem como arguido o mestre da embarcação, processo que deixou de estar sob segredo de justiça.

Segundo a peritagem, “além da considerável deterioração, o cabeço apresentava ainda alguns defeitos de fundição, nas proximidades da provável zona de nucleação da fissuração”, mas que “não deverão ter condicionado” aquela.

“Apesar do avançado estado de deterioração do cabeço e da superfície de fratura, não foram detetadas quaisquer evidências de uma fratura prévia ao acidente”, acrescenta o documento, datado de julho de 2016.

O acidente ocorreu a 14 novembro de 2014, quando um passageiro foi atingido por um cabeço de amarração que rebentou, no porto de São Roque, quando o navio “Gilberto Mariano”, que faz ligações entre as ilhas do Faial, Pico e São Jorge, se encontrava em manobras de atracagem.

Além deste acidente, dias antes, no porto da Madalena, igualmente na ilha do Pico, dois cabeços de amarração rebentaram durante a atracagem com o “Mestre Simão”, o navio gémeo do “Gilberto Mariano”.

O LNEC adianta que, no decorrer da peritagem, constatou que “foram diversos os fatores e os procedimentos que concorreram para a ocorrência do acidente”, como o “estado de conservação do cabeço” ou o desconhecimento da capacidade resistente deste.

As condições atmosféricas, o estado de agitação marítima, “extremamente adversos à atracação deste tipo de navios” e a “alteração do tipo de cabos recomendado pelo fabricante do navio, para cabos muito mais resistentes, inclusivamente mais resistentes que os restantes elementos de amarração, o que inviabilizou que os cabos fossem os primeiros elementos a dar indícios de cedência”, são outros dos fatores apontados.

Acresce o procedimento de amarração adotado, “deixando que, por breves instantes, o navio se encontre amarrado a um único ponto”, refere o LNEC.

Na sequência destes acidentes, foi criada uma comissão de inquérito aos transportes marítimos no parlamento dos Açores, por proposta do PSD.

A 20 de janeiro de 2016, a comissão parlamentar de inquérito terminou sem atribuir responsabilidades políticas, como sugeria a proposta de relatório final.

“Não é possível, objetivamente, assacar responsabilidades políticas ao Governo Regional, para além da responsabilidade, de resto já assumida, de tudo fazer no que estiver ao seu alcance para reduzir no mínimo possível os riscos para que situações destas voltem a acontecer”, refere uma das conclusões do relatório final, aprovado pelo PS, com a abstenção do CDS-PP e PCP, e os votos contra do PSD.

Antes, a 08 de janeiro, a Lusa noticiou que a família do passageiro que morreu no acidente foi indemnizada em 300 mil euros, pelas empresas públicas Portos dos Açores e Transmaçor.

Esta última era uma das empresas públicas açorianas que asseguravam o transporte marítimo de pessoas e viaturas no arquipélago, entretanto fundida na Atlânticoline, e a empresa proprietária no navio envolvido no acidente mortal.

(https://www.noticiasaominuto.com/pais/752720/cabeco-de-amarracao-que-matou-passageiro-apresentava-extensa-deterioracao)

Texto: Noticias ao Minuto | Foto: Direitos Reservados

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