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Ampliação do Aeroporto da Horta “será que é desta?”

Nas últimas semanas a questão da ampliação do Aeroporto da Horta teve novos desenvolvimentos. O novo projecto apresentado pela Câmara Municipal da Horta criou em todos nós um novo sentimento de esperança: “será que é desta?”. No entanto o conhecido “jogo do empurra” continua, com o Presidente do Governo Regional a dizer que não está disposto a avançar com esta ampliação e que não devem ser os impostos dos faialenses e açorianos e pagar este investimento. Estão novamente a ruminar a ampliação do aeroporto.

Mas há outra questão que deve ser pensada seriamente.

Olhando para os números do Serviço Regional de Estatística dos Açores é possível constatar que os turistas que mais visitam o Faial são provenientes da Alemanha (27%). No ano de 2016 o Faial recebeu 8615 hóspedes alemães. De Maio a Setembro foram 6934 distribuídos da seguinte forma: Maio – 842; Junho – 1301; Julho – 1636; Agosto – 1800; Setembro – 1355.

Vamos pegar nestes números e imaginar que há um contrato com a TUI Fly Alemã para efectuar voos charter para a Horta no período de Maio a Setembro com os seus Boeing 737-700 com capacidade para 148 passageiros. Imaginemos que o Governo Regional apostava fortemente na promoção do destino Faial neste mercado. Imaginemos que estes números, fruto dessa promoção, registavam um crescimento considerável. Não conseguiríamos 1 a 2 frequências semanais neste período?

De Maio a Setembro de 2016, Pico e São Jorge recebem no total 6651 hóspedes alemães. Falando em triângulo são 13585 hóspedes. Quantos seriam se houvesse uma promoção séria deste destino?

Há dias li neste grupo um comentário sobre a operação da TUI no Pico, que inicialmente não me mereceu grande consideração por vir de alguém que não se identifica, mas mais tarde levou-me a levantar algumas questões. Tal como no Faial, no Pico os alemães são os que mais visitam a ilha, cerca de 28%. Mas o Governo Regional decidiu apostar no mercado Holandês (voos Amesterdão – Pico) que se ficou pelos 13% em 2016 (2586 hóspedes). No Faial, mesmo sem voos directos com a Holanda, o número de hóspedes conseguiu ser superior: 3074 (cerca de 9% dos turistas). Que sentido fez esta operação para o triângulo?

A ampliação do aeroporto deve ser uma prioridade, mas nunca servirá para nada se o nosso destino não for promovido.

Está na hora dos empresários faialenses ligados ao turismo também começarem a pensar nestas questões e equacionarem todas as formas de trazer mais pessoas/voos ao Faial. E é isso que infelizmente não tem acontecido. Análises críticas eu tenho visto muitas. Mas um plano estratégico para o turismo no Faial, defendido 365 dias por ano pelas partes que mais irão beneficiar com o crescimento do turismo não tenho visto. Se querem comer os frutos, cuidem da árvore. Porque a inércia é inimiga do desenvolvimento, e enquanto ela existir continuaremos à mercê dos caprichos dos nossos políticos e aí sabemos que os resultados raramente nos beneficiam.

(DR/Diogo Duarte)

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