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“Agarra-te à vida, não ao cabelo”… Na minha opinião

Somos hoje uma sociedade que fomenta a igualdade de género, a identidade de género, a expressão de género, a não discriminação em função da idade, raça, religião, orientação sexual, da deficiência…temos uma legislação by the book, exemplar. Na verdade não nos falta nada, legislação, formação, informação, instituições, técnic@s, e comissões que trabalham massivamente em prol da Igualdade, em prol do combate à violência domestica, só nos esquecemos de um pequeno pormenor, ainda não descobrimos o botão que nos permite fazer tabua rasa de todas as crenças que adquirimos desde que nascemos, que estão tão tão cá dentro, quase de forma visceral, que por mais que cognitivamente percebamos a sua desconstrução, não conseguimos na pratica sermos assim tão assertivos/as e os implementarmos à nossa vida, permitindo a construção individual da tal “Igualdade de Género”. Tem que começar por nós, o self individual, para o relacional (na relação com o/a outro/a), para o social (com a relação comos pares).

Permitam-me a desmistificação “feminismo” não é o feminino de “machismo”…sinto que é importante falar disto…feminismo não é ser contra o sexo masculino, é sim, por em pé de igualdade homem e mulher, fazendo para isso valer os direitos das mulheres…sim, já sei…já temos muitos…estão todos na legislação…estou a falar da vida real, da sociedade atual…quando uma jovem de 15 anos me verbaliza numa formação, que a culpa do desemprego foi a entrada das mulheres no mundo do trabalho. Se pensarem na Igualdade de Oportunidades que uma mulher e um homem tem dentro da mesma empresa…acrescentemos à mulher, que esta esteja gravida…pergunto a igualdade é a mesma? Ou façamos o exercício inverso, quantos homens usufruem na verdade, da sua licença de paternidade na íntegra?

Depois o “Sexo e o Genero”…o sexo é masculino ou feminino consoante a genitália, consoante o nosso biológico…o género é construído em primeiro lugar pelos nossos/as cuidadores/as, como nos vestem, pelas cores, pelos espaços físicos que criam para nós, vamos desenvolvendo o género consoante a construção social, psicológica, cultural que vamos fazendo do mundo que nos circunda ao longo do processo de desenvolvimento da nossa identidade.

…Depois desta pequena explicação vamos ao que interessa, este filme de 2018, “Agarra-te à vida, não ao cabelo” retrata o que pensamos que já não existe, tal é a evolução de Direitos, e da emancipação das mulheres (acham alguns/as…) em que uma jovem afro-americana, colaboradora numa multinacional, de uma beleza considerável, vive com a exigência da perfeição…tem de ser perfeita, no ser, no estar, no vestir, até no dormir…e no cabelo…todas as noites dormia de toalha no cabelo, a sua mãe a primeira incitadora da perfeição aparecia a meio da noite, para lhe esticar o cabelo da raiz as pontas com aquelas plaquinhas quentes que usamos (?!)…durante a noite acordava para se maquilhar acordando, qual sonho de mulher…perfeita, flawless!!Durante a infância era proibida de ir à piscina com as outras crianças, porque o cabelo carapinha apareceria, e a mãe queria que ela fosse perfeita…anos de repressão de quem era, incutindo que só somos amadas se formos perfeitas, e não sermos amadas por sermos nós mesmas…sonhava que o noivo a pedisse em casamento, assinar o tal contrato, ao que o noivo lhe respondeu és perfeita, mas não quero casar-me com a perfeição, quero conhecer-te…penso que nem ela saberia quem era, tal eram as camadas até chegar ao verdadeiro eu…a relação acaba, nova oportunidade de mudança, novo olhar para si própria…numa decisão radical rapa o cabelo, começa a viver a vida, o que lhe fora incutido sobre como ser, como se comportar, como estar…mostra-se ao mundo como é, não como esperam que seja…no trabalho despede-se…todo o trabalho de venda de produtos a ela atribuído, era o que em senso comum atribuímos ao sexo feminino, estética, beleza, os trabalhos de grandes marcas eram atribuídas ao colegas masculinos…enfim…por vezes a educação incutida leva-nos a seguirmos de forma quase inconsciente modelos de comportamento que promovem a nossa própria desigualdade…os estereótipos estão tão enraizados que só arrancando, e com novas podas, de novos modelos vamos conseguir desformatar estas nossas cabecitas…

A Igualdade de Género transversal a todas as áreas e domínios de uma sociedade, educação, cultura, saúde, desporto, etc, são o veículo para que as nossas crianças, meninas, meninos, pessoas possam compreender que é na igualdade como alicerce base do nosso individual, e por consequência do nosso social que melhoraremos as nossas relações, os nossos desequilíbrios, promovendo um mundo mais seguro, e sem radicalismos nem fundamentalismos.

Nota: nas sociedades nómadas a igualdade era pratica entre homens, mulheres e crianças, eram pessoas vistas como iguais… surgem novas culturas, com a sociedade sedentária, surge a noção de propriedade, de posse, a mulher por ter de se resguardar durante a gravidez, torna-se propriedade d(o) outr(o)…e o resto da historia já sabem…é a que nos leva até aos dias de hoje!

Já tinha saudades de escrever…espero não vos ter roubado muito tempo! Obrigada (às pessoas)

Carla Mourão

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